Evento, realizado entre os dias 29 de março e 2 de abril em São Paulo, reuniu mais de 280 técnicos e pesquisadores de vários estados para debater o assunto, tema fundamental para o desenvolvimento sustentável.
Em sintonia com sua missão de promover o desenvolvimento rural sustentável, a CATI participou ativamente do 8.º Simpósio Nacional de Controle de Erosão, realizado em São Paulo entre os dias 29 de março e 2 de abril. Além de um estande para apresentar seus produtos, serviços e programas, a instituição levou 30 profissionais de várias áreas, principalmente das Unidades Técnicas de Engenharia, para participar das palestras e exposição de projetos. "Entendemos que a conservação dos recursos naturais é um dos principais pilares para o desenvolvimento sustentável e continuidade da vida humana. O problema da erosão em todo o país é muito grave e para nós é gratificante participar de um evento dessa amplitude, mostrando resultados visíveis e positivos. Após anos de execução do Programa de Microbacias, podemos apresentar soluções para muitos problemas que estão sendo discutidos, pois desenvolvemos metodologias e adaptamos tecnologias que resultaram em avanços no controle da erosão no meio rural, com reflexos benéficos para a população urbana", disse o eng.º agr.º José Luiz Fontes, gerente de planejamento do Programa de Microbacias, executado pela CATI, acrescentando que o evento também foi uma oportunidade de capacitação e interação de técnicos e pesquisadores das áreas urbana e rural.
Promovido pela Associação Brasileira de Geologia e Engenharia Ambiental (ABGE), o 8.º Simpósio Nacional de Controle de Erosão tornou-se um fórum para debates, tendo como base o tema central: Gestão para prevenção e controle de processos erosivos. "Nosso objetivo foi reunir especialistas de instituições públicas e empresas privadas, gestores públicos e demais interessados de várias áreas do conhecimento para discutir questões referentes aos processos erosivos, com a finalidade de apontar novos métodos de investigação e monitoramento, rumos e estratégias para o controle e prevenção para a melhoria da gestão dos recursos hídricos e do solo das bacias hidrográficas, bem como estratégias de políticas públicas para o controle e prevenção desses processos", salienta Gerson Salviano de Almeida Filho, pesquisador do IPT e membro da comissão organizadora.
Outro objetivo do Simpósio, de acordo com Salviano, foi a elaboração de uma carta com a reivindicação ao governo federal da criação de um Programa Nacional de Controle de Erosão. "Tivemos uma mesa de discussões que apresentou um diagnóstico da erosão em diversos estados do país. Os principais problemas evidenciados estão relacionados às perdas de solo e ao transporte de sedimentos que provocam o assoreamento e poluição dos cursos d'água. Entendemos que é fundamental um programa nacional para minimizar as conseqüências desses problemas. Também acredito que é preciso uma maior integração de ações no meio urbano e rural, pois um influencia no outro, haja vista que as cidades escoam água para a zona rural e vice-versa".
Sobre essa integração Salviano destacam o Programa de Microbacias de São Paulo com um exemplo. "Quando foram definir as microbacias a serem trabalhadas utilizaram como base o mapa de erosão do convênio IPT-DAEE.
Além disso, tem como grande valor o envolvimento de toda a comunidade local e a sociedade em geral com o poder público, o que é fundamental para qualquer programa de combate à erosão".
A comissão organizadora relatam que na 8.ª edição do Simpósio buscou-se ampliar os temas, envolvendo, além dos processos erosivos em áreas urbanas e rurais, a discussão em ambientes fluviais e costeiros e o grave problema do assoreamento. Um dos objetivos consistiu em discutir, com os mais distintos atores, projetos e pesquisas em diagnóstico, prevenção e recuperação dos processos erosivos. O compromisso da comissão, após o evento, será buscar auxílios para viabilizar a publicação de um livro sobre o diagnóstico dos processos erosivos no Brasil, agregando os melhores trabalhos apresentados no evento, entre esses, a CATI expôs na sessão pôster dois trabalhos realizados no âmbito do Programa de Microbacias: Controle de Erosão nas Microbacias Hidrográficas na Região de Jales e Estudo de Caso da Turbidez (indicação da quantidade de sólidos em suspensão na água, que facilita o monitoramento), no Córrego Baguaçu na Região de Araçatuba. Segundo o eng.º agr.º Gilberto J.B. Pelinson, da Regional de Jales a receptividade ao trabalho foi muito boa. "Muitas pessoas com as quais conversei, não tinham idéia da dimensão do programa em São Paulo. Fizemos um resumo das principais ações na nossa região ligadas ao mapeamento agroambiental, controle de voçorocas e adequação de estradas. Com os resultados, as pessoas puderam ver que a paisagem de nossa região foi modificada".
A programação foi dividida entre conferências, mesas-redondas, debates, exposição das empresas e entidades participantes e uma visita técnica às obras do Rodoanel - trecho sul, que está sendo construído em São Paulo.
Prevenção e Controle de Erosão em Bacias Hidrográficas
Demonstrando a importância e contribuição dos Programas de Microbacias para a conservação dos recursos naturais e o controle de erosão nas áreas rurais, representantes dos Programas executados nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro, apresentaram resultados e ações desenvolvidas com as comunidades rurais locais.
Em sua palestra, José Luiz Fontes, da CATI, apresentou os resultados das ações do Programa, com números relativos, principalmente às práticas integradas de controle de erosão e conservação dos recursos naturais, como a adequação de estradas rurais, controle de voçorocas, recuperação de Áreas de Preservação Permanente e matas ciliares, saneamento básico, terraceamento e sistemas de cultivo como plantio direto na palha. "Um dos principais pontos difundidos pelo programa foi o envolvimento da comunidade para identificação e solução dos problemas, com incentivos para a integração de práticas conservacionistas, pois a adoção de uma prática isolada, como o terraceamento por exemplo, não constitui garantia de sucesso no controle de erosão", disse Fontes, ressaltando que foram investidos U$39 milhões na execução de práticas de conservação, dos quais U$27 milhões apoiados pelo programa. "De acordo com estudos feitos em 2009, deixaram de ser perdidas cerca de 167.400 toneladas de terra por ano, o equivalente a aproximadamente 48.500 caminhões basculantes de 5m^3" .
Para Nestor Bragagnolo, da Secretaria de Estado do Planejamento do Paraná e consultor do Banco Mundial para os programas de microbacias no Brasil, a implemantação desses programas foi fundamental para a agricultura. "Por causa do processo de colonização, principalmente no Sul, e, a consequente adoção de uma agricultura mecanizada, os programas de microbacia vieram ao encontro dos produtores para equacionar os problemas de manejo dos recursos naturais. Os resultados são excelentes.
Em alguns estados houve aumento de produtividade e renda para os agricultores, redução do impacto nos mananciais e recursos hídricos de modo geral, bem como grande avanço no controle da erosão. Em um simpósio, em que o controle de erosão está sendo discutido nas áreas urbana e rural é importante ressaltar, que temos verificado que grande parte dos problemas não advém das propriedades rurais, mas das estradas mal conservadas e das cidades que crescem desordenadamente. Portanto é preciso integração de esforços, pois só dessa forma teremos sustentabilidade e qualidade de vida para as gerações futuras".
Osmar Luiz Trombetta, da Epagri e secretário executivo regional do Programa de Microbacias de Santa Catarina, falou sobre o avanço na conservação dos recursos naturais na região, ressaltando a transformação socioeconômica e ambiental ocorrida entre nas comunidades. "É importante participar de um evento como esse, para mostrar que o meio rural está fazendo a sua parte".
Helga Hestum Hissa, do Programa Rio Rural, salientou a importância da criação de uma Rede para integração e troca de experiências entre os programas desenvolvidos no país, visando ao aprimoramento das ações já realizadas e à proposta de inovações e novas metodologias de trabalhos para fases seguintes dos projetos locais.
A erosão
Segundo a pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas, Isabela Clerici De Maria, existem três tipos de erosão: voçorocas (grandes erosões), erosão em sulcos ou ravinas e erosões laminares (pequenos sulcos). "Em São Paulo a mais importante para a produção de sedimentos é a laminar. Apesar de não ser muito visível, seu impacto é difuso e contribui muito para o assoreamento e poluição dos mananciais", disse Isabela, acrescentando que existe um grande arcabouço de tecnologias para o controle dessas erosão, mas faltam técnicas efetivas de prevenção. "É imprescindível que se invista em educação ambiental voltada para a prevenção de erosão, com conhecimento do solo e geologia, e não apenas pensando na fauna e flora".
De acordo com o geólogo e pesquisador do IPT, Eduardo Soares de Macedo, a erosão dos solos está presente em todos os biomas brasileiros, desde a mata atlântica até a floresta amazônica, passando pelos cerrados, caatinga, pantanal, campos, restingas e manguezais. "Nos estados do sul e sudeste vemos erosões nas áreas de serras, litoral e interior dos estados, sendo que nas serranias o maior problema é o deslizamento de encostas e no interior a erosão laminar. Nas cidades, um dos maiores problemas causados pela erosão são as enchentes e o assoreamento dos rios; no interior as grandes voçorocas que diminuem a área produtiva".
Nas áreas urbanas, um dos principais problemas no controle da erosão é o alto custo das obras. "Enquanto estamos controlando uma, surge outra. A erosão na área urbana resulta principalmente da falta de planejamento na expansão das cidades, para disciplinar melhor as águas pluviais. Além disso, as grandes construções como usinas hidrelétricas precisam de monitoramento ambiental. Os municípios para receberem verbas para controle da erosão urbana precisam ter projeto de mato-drenagem, mostrando onde estão convergindo o escoamento das águas pluviais. Mas temos evoluído com os Comitês de Bacias", diz Gerson Salviano.
Em relação à zona rural, o modelo de agricultura predominante incrementa fortemente os processos erosivos pela exposição de solos ao sol, à chuva, destruição de seus agregados, formação de camadas compactadas, decréscimo de permeabilidade e infiltração e, em conseqüência, elevação de perda do patrimônio solo. Assim, a erosão hídrica é a principal forma de degradação dos solos no Brasil.
O problema da degradação dos solos não ocorre somente no Brasil. A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que o total de solos degradados no mundo é de 2 bilhões de hectares - área do tamanho dos Estados Unidos e Canadá juntos. E o avanço da catástrofe é de 20 milhões de hectares por ano.