O segundo dia de atividades do Congresso Baiano de Engenharia Sanitária e Ambiental (COBESA) foi aberto pela conferência "Como viabilizar a Cidade Sustentável?", ministrada pelo presidente do Congresso e professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Antônio Carlos Robert Moraes. Centrada em discussões teóricas e contemporâneas, a explanação perpassou diversos conceitos da pós-modernidade em que são discutidos o papel do Estado e da nacionalidade na construção da sustentabilidade.
Em sua fala, Antônio Carlos contestou algumas das considerações feitas por estas teorias, em especial quando defendem a construção de um mundo pós-nacional onde a continuidade espacial deixa de ser considerada fator determinante ao desenvolvimento dos países. Para o professor, mesmo com a articulação por meio de redes e fluxos que caracterizam a globalização, o mundo ainda se organiza a partir dos países, de modo que a construção de projetos societários alternativos passam necessariamente pelo âmbito das legislações nacionais.
Antônio Carlos falou também sobre a importância de considerar o entendimento da dinâmica urbana em que a cidade se inserida, bem como as particularidades de sua soberania e jurisdições. A desregulamentação do mercado e a inserção de um comportamento antiestatal decorrentes das ações do pensamento hegemônico levaram a uma desarticulação das políticas públicas que contrariam o ideal de sustentabilidade. Como desafio, Antônio Carlos defendeu a retomada da capacidade do Estado como instrumento ideal de tomada de ações e também a construção de articulações em diversos níveis que venham a contrapor o atual panorama de fragmentação. "O ambiental não deve ser um novo setor de governo, mas uma diretriz que permeie as ações gerais do Estado", afirmou o professor.
Fonte: Ascom/Cerb