A Mesa Redonda sobre Tecnologias e Sustentabilidade, realizada nesta terça-feira (13/07), no Centro de Convenções da Bahia, foi marcada pela unanimidade do posicionamento dos participantes na proposta de uma mudança total do modelo adotado de saneamento e consumo, no Brasil.
A mesa fez parte do I Congresso Baiano de Engenharia Sanitária e Ambiental e foi presidida por Rita Góes, diretora da Diretoria de Estudos Avançados em Meio Ambiente (DEAMA), do Instituto do Meio Ambiente do Estado (IMA), que identificou os principais pontos da discussão.
"Essa discussão tem uma importância visceral, pois nós temos que mudar o nosso modelo de comportamento, de forma de produção, de ensino, para buscar essa sustentabilidade", afirmou Rita Góes, que traçou um paralelo com as atividades realizadas na diretoria a qual é responsável, no IMA.
"Ficou claro aqui, e os fatos que acontecem no nosso cotidiano afirmam, que esse modelo que aí está é insustentável. Na DEAMA, nós buscamos contribuir para essa mudança de paradigmas, mostrando alternativas sustentáveis para a produção e consumo consciente de energia e de água", explicou Rita Góes.
Participantes elevaram a discussão técnica e intelectual
Armando Caldeira, professor da Universidade Federal de Brasília (UNB) iniciou as palestras falando da importância da etapa do planejamento e de instrumentos como avaliação ambiental estratégica e da análise de ciclos de vida, evitando as ações pontuais e promovendo uma visão mais sistêmica da situação.
Ao ser questionado se a demora para acontecerem transformações no sistema era de ordem política ou tecnológica, Caldeira deu sua opinião:
"A política vem através de uma demanda da sociedade, assim como a técnica, para satisfazer algum bem. Mas antes disso, há uma questão de consumo", avaliou Caldeira, sugerindo uma mudança de comportamento da sociedade.
"É preciso realizar uma mudança de padrão de consumo, talvez começando pelas empresas e chegando ao consumidor final, que empurrará ao político, que por sua vez encaminhará ao legislador a mudança total de atitude", concluiu Caldeira, avaliando que por conta desse sistema as mudanças demoram décadas para acontecer.
O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Asher Kiperstok demonstrou o ciclo do nitrogênio, que revela altas perdas nutrientes e de recursos naturais no consumo humano. Ele também questionou a conduta e a energia gasta no sistema de saneamento para o transporte e tratamento de água.
"Para trazer água do Paraguaçu para cá se gasta uma energia de 0,8Kw/h. Mais da metade da água transportada se perde e, quando falta água, puxa-se uma nova adutora, faz-se uma nova barragem, e gera-se desequilíbrio nos ecossistemas", apontou Kiperstok, que comparou os gastos energéticos brasileiros com países como Espanha, Austrália e Israel, que gastam 5Kw/h de energia para dessalinizar a água do mar e abastecer suas cidades.
"O grande pulo tecnológico para viabilizar a descentralização desses recursos é a introdução, cada vez maior, de sistemas mecatrônicos de controle e automação", concluiu Kiperstok, sugerindo um maior controle da água e um tratamento mais eficaz do esgoto.
Já Enrique Ortega, professor da Universidade de Campinas (UNICAMP) questionou o modelo educacional vigente e propôs que sejam desenvolvidos novos projetos políticos e pedagógicos.
"Temos que promover uma reviravolta para que a universidade deixe de ser uma replicadora de conhecimento externo e seja uma instituição que pense de maneira autônoma, nacional, regional, local!", exclamou Ortega, que ainda sugeriu uma nova teoria: a do decrescimento.
"Se o crescimento trouxe tanta concentração de riqueza, tanta destruição da natureza, tanta poluição, o decrescimento pode levar tudo isso em consideração e recriar este sistema", concluiu Ortega, com uma sabedoria que lhe permite ter idéias de vanguarda.




Fonte: Fonte: Ascom/IMA